segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

GOIÂNIA PARA TURISTAS I

O QUE FAZER EM GOIÂNIA - PONTOS TURÍSTICOS: Praça Cívica.

Hoje pela manhã me deparei com uma matéria escrita ainda em 2014 sobre Goiânia. Uma turista de passagem pela cidade narra sua dificuldade para encontrar os pontos turísticos da capital goianiense e eu, como uma boa goianiense do pé rachado, não me irritei em nada com as verdades que a moça diz. Ela não inventou nada em seu relato. A intenção deste e dos posts a seguir é oferecer algumas dicas para quem procura pelo que fazer na cidade, em passeios turísticos e sem maiores badalações. Não conheço nada das baladas da cidade (risos).

Em 1933 foi lançada a pedra fundamental para a construção da cidade de Goiânia, estrategicamente planejada para tornar-se capital administrativa e política do Estado de Goiás. 
É difícil falar de Goiânia e seus pontos turísticos, sem mencionar aspectos históricos, politiqueiros e eleitoreiros da capital, contudo o exercício será feito. E vou riscar pra indicar onde estiver, caso não queiras ler, risos. 

Parte do patrimônio arquitetônico do Centro da cidade é "preservado", evidenciando uma arquitetura com influências da Art Deco que estampa fachadas de construções datadas, principalmente, da década de 1930 e 1940. Por  vezes algumas já foram demolidas e/ou abandonadas, e por variantes inúmeras, reconstruídas e/ou restauradas. Algumas edificações são consideradas cartões postais da cidade, com rica carga histórica e política , e claro, foram transformadas em pontos turísticos da Capital.

Nesse primeiro tour trataremos da Praça Cívica, oficialmente, Praça Dr. Pedro Ludovico Teixeira, onde a pedra fundamental da cidade foi lançada e de onde saem as principais avenidas do Centro da cidade: Av. 85, Rua 83, Av. Tocantins, Av. Goiás, Av. Araguaia, Rua Dona Gercina Borges Teixeira, Rua 10 - Av. Universitária e importa citá-las por serem vias de acesso à outros pontos turísticos da cidade...

Distante entre 9 a 10 km do aeroporto e a 2,5 km do Terminal Rodoviário, no Centro, está a Praça Dr. Pedro Ludovico Teixeira, mas se for perguntar a algum goianiense, pergunte pela Praça Cívica! Muitos de nós conhecemos as coisas por denominações diferentes das oficiais e a moça que inspirou essa série de postagens, falou bem sobre isso... Na Praça Cívica há um concentrado de edificações Art Deco: Coreto, Palácio das Esmeraldas - residência oficial do governador -, Procuradoria Geral do Estado, Tribunal de Contas do Estado, Centro Cultural Marieta Telles Machado - que abriga o Cine Cultura e o Museu da Imagem e do Som - o Museu Zoroastro Artiaga, etc., além de esculturas - o Monumento à Goiânia, conhecido mais como Monumento das Três Raças é o de maior destaque, ocupando o centro da praça - e fontes luminosas, restauradas e postas em funcionamento como no projeto original da década de 1930 na última "reforma" da Praça Cívica, (re)inaugurada em outubro de 2015 e finalizada quase um ano depois, sim, em Goiânia e no Goiás inteiro tem disso, os caras inauguram obras inacabadas. E pelo que indica algumas pesquisas rápidas, em breve o governo estadual vai também dar uma "revitalizada" na praça novamente...

A Praça Cívica ainda abriga no decorrer do ano festividades e exposições diversas, chegando a grande público no Show de Natal, em que, a Praça é transformada em palco de festividades natalinas, ecoando uma deliciosa algazarra com sons de carrossel, risos dos infantes e aquele cheirinho de pipoca inebriando o ambiente. Aos domingos, desde 2014 a pista do anel interno da Praça é fechado aos automóveis, abrindo espaço para o ciclismo e o skate.

Além de conhecer e fotografar, na Praça Cívica é possível visitar (se tiver aberto, risos):

No Centro Cultural Marieta Telles Machado:

* Cine Cultura: com programação especial, filmes bastante premiados e mais distantes da pegada comercial, sedia alguns festivais de tempos em tempos. Sessões e programação com filmes vespertinos (durante a semana) e noturnos aos fins de semana e feriados. Programe-se pelo site: https://cineculturagoias.wordpress.com/
* Museu da Imagem e do Som: Particularmente não conheço, visitas agendadas. Conforme site da Secult horário de funcionamento nas segundas é das 14h as 17:30 e terça a sexta das 8h as 12h e das 14 as 17:30. Para consulta ao banco de dados e acervo fotográfico e fonográfico, visitas devem ser agendadas previamente.Telefones (62) 32314644 - 32014673. Maiores informações: http://www.secult.go.gov.br/post/ver/139327/museu-da-imagem-e-do-som-de-goias

Museu Zoroastro Artiaga: Estive em duas ocasiões querendo conhecer o museu, mas estava fechado mesmo sendo dia e horário de funcionar.

Funcionamento: Terça a sexta, das 8h as 18h; sábados, domingos, feriados das 9h as 15h. Maiores informações: http://www.secult.go.gov.br/post/ver/139325/museu-zoroastro-artiaga


                                  Palácio das Esmeraldas, residência oficial do governador


                                                             
                                                       Centro Cultural Marieta Telles




Museu Zoroastro Artiaga













Antiga "Chefatura de Polícia" - Cadeia














Coreto

Escultura em bronze de Pedro Ludovico Teixeira, arquiteto de Goiânia, esculpida por Neusa Moraes.












Escultura Monumento à Goiânia - "Monumento das Três Raças" - esculpido em bronze e granito por Neusa Moraes.










quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A FALÁCIA DA ESCOLA SEM PARTIDO

Pra começar, o termo ESCOLA SEM PARTIDO é mal intencionado e os que o concebem sabem bem disso. Talvez não saibam aqueles que reproduzem-no, que ouvem defesas mal intencionadas dos que enfrentam uma escola que, de fato ruma para ser o que escola deve ser: promotora de conhecimentos sistematizados, promotora de debate e passível de contribuir para a reflexão a cerca das estruturas da sociedade, para a consolidação da autonomia e da liberdade, abafadas pelo capital.

A prática pedagógica é em si uma prática social política. Não é necessariamente partidária, mas não é apolítica. E no quadro de uma prática social política, colocar a par dos acontecimentos em diferentes perspectivas e frentes é fazer educação.

Sabendo do caráter apolítico da prática pedagógica aqueles que querem frear os avanços que temos feito na educação criou-se toda uma mídia que vem conseguindo convencer cada vez mais pessoas que "há uma ditadura de esquerda no ensino público e que as nossas criancinhas estão sendo corrompidas por uma escola psicopata, sem valores, amoral e esquerdista"...

Vamos por partes... Politicamente, compreendo o poder da Pedagogia Crítica nos avanços que temos e não dá pra explicar isso sem falar sobre luta de classes e ensino público. O ensino público no Brasil, a escolarização para a classe popular, começa a receber investimentos no início do século XX em virtude da necessidade de formação de mão de obra, de força de trabalho. Nesse sentido, temos uma prática pedagógica já repleta de interesse político/econômico: formar trabalhadores para o mercado de trabalho, para tanto uma prática pedagógica que introduziria e faria incorporar técnicas a serem aplicados no mercado de trabalho. Uma educação voltada ao fazer irrefletido e que é considerada pela parte detentora dos meios de produção, essencial, portanto, nada apolítica, nada apartidária. Assim, a educação, da forma como se processa, tem estado a serviço, digamos, de um partido, um partido da classe detentora dos meios de produção que necessita manter a estrutura da sociedade, precisa forjar trabalhadores que pouco reflitam sobre questões para além de conteúdos mecanizados, fragmentados e instrumentalizados.
E, vendo se processar uma perspectiva educacional crítica, progressista, voltada a levar a classe trabalhadora a ir além do que a classe burguesa considera necessário para formar suas "máquinas", a burguesia viabiliza seu projeto de manutenção da estrutura de exploração de força de trabalho que reproduz seus interesses, dentre outras maneiras, "criando" um projeto, uma prática pedagógica baseada na falácia de neutralidade política, A FALÁCIA DA ESCOLA SEM PARTIDO. E pior, pelos meios mais vis e promotores de ódio convence parte da sociedade que a escola precisa conservar uma neutralidade que nunca foi sua.

Conforme Saviani (1983) a escola é um instrumento de reprodução das relações sociais e, reproduzindo a sociedade capitalista, reproduz a dominação e exploração característicos dessa sociedade, apresentando-se como tendente à conservar o antagonismo de classe. Contudo, o filósofo pontua que uma educação que se baseie em uma sólida fundamentação teórica para a compreensão da realidade social, é capaz de transformar as bases da sociedade, formando o homem para “torná-lo cada vez mais capaz de conhecer os elementos de sua situação a fim de poder intervir nela transformando-a no sentido da ampliação da liberdade, comunicação e colaboração entre os homens” (SAVIANI, 1980, p. 52). Para tanto, ainda segundo o filósofo, a escola deve possibilitar a formação do homem livre, democrático e autônomo, exatamente o que não é efetivado numa sociedade pautada pelo capital e numa escola que atenda aos interesses da classe burguesa. 

Para isso, não se pode processar apenas um ponto de vista, furtar-se do debate e da liberdade de ideias baseadas no conhecimento historicamente construído pela espécie humana, não se pode negligenciar ponderar o pensamento conservador e o progressista. No contexto da Escola sem partido, professor que em sala de aula, ponderar as coisas, elevar o contraditório, instigar ao pensamento dialético, emitir seu pensamento e ter formação capaz de levar o estudante a ser além de uma máquina reprodutiva dos 'valores' da sociedade burguesa e que faça frente à conservação da sociedade capitalista, é tomado como tendencioso e promotor de uma escola partidarista, gravemente promotor da "doutrinação esquerdista". Contudo, aquele que não o faz, promove para nós aqui, a manutenção de uma sociedade que inventa um ensino neutro numa escola que não é e nunca foi neutra, apolítica e muito menos, apartidária...


Para informações sobre o assunto: http://www.anped.org.br/search/node/ESCOLA%20SEM%20PARTIDO 




sábado, 17 de setembro de 2016

PRECISAMOS FALAR DE PROGRESSO I

A morte do ator Domingos Montagner tem se relevado cabal para algumas pessoas chamarem atenção ao fato tão aclamado por movimentos sociais em relação à construção de usinas hidrelétricas. É lamentável que alguém 'importante' tenha de morrer para que algumas coisas possam vir à tona e, pelo menos para um pouquinho mais de pessoas talvez enxergarem algumas coisas...
Em 2009 conheci parte do São Francisco na região de Bom Jesus da Lapa e me encantei em ver a beleza do rio, mesmo com águas barrentas devido ao período em que fui... na ocasião, participei do Congresso de 30 anos da Pastoral da Juventude do Meio Popular que teve seu encerramento com uma gigantesca Romaria em defesa do Rio São Francisco. Paradas faziam os presentes, congressistas, população da cidade e população ribeirinha a refletir e a denunciar impactos do projeto de transposição do São Francisco bem como da implantação de usinas hidrelétricas!

O fatídico de Montagner levanta a prerrogativa da alteração das correntes, vazão das águas, elevação repentino do nível e do volume de água de regiões próximas à usinas hidrelétricas e claro, causadas por usinas hidrelétricas. Vimos em entrevistas, reportagens de jornais e revistas sobre o caso em que autoridades e ribeirinhos comentavam sobre a periculosidade do trecho onde o ator se banhou. Contudo, cabe pensar: com o doce e convidativo nome de Prainha do Canindé de São Francisco, sempre foi um local de alta periculosidade? Ainda não consegui informações sobre isso. No momento, tudo que se lê sobre o assunto pontua que É trecho perigoso, e não encontrei ainda informação se ANTES da usina, o trecho ERA de tão alta periculosidade. 
Fato é que, diversos meios de comunicação de massa afirmaram após ser encontrado o corpo que o local é muito perigoso e não recomendado para banho "devido à forte correnteza provocada pela vazão da Usina Hidrelétrica de Xingó". 

Não que antes de hidrelétricas ninguém morresse afogado, ninguém fosse arrastado pelas correntes... Contudo, o progresso, a geração de energia, pensado a partir da construção de energia hídrica causou a morte do ator e, dentre outras, pois Montagner não foi a única vítima da região, tampouco correlata à essa única usina. Em buscas pela rede, facilmente identificamos tantas outras vítimas, que não viraram notícias internacionais, mas que perderam a vida, ou estão perdendo-a aos poucos, nas proximidades de usinas hidrelétricas do Rio São Francisco, do Rio Tocantins, do Rio Corumbá, do Rio Paranaíba, do Rio Xingu, entre tantas outras... Xingó, Tucuruí, Furnas, São Simão, Belo Monte, entre tantas outras causam, cultivam diariamente a morte. Quando fala-se da morte de turistas, geralmente as associações em noticiários locais são acrescidas das informações 'próximo à usina onde a água subiu repentinamente, ou, onde as turbinas provocam aumento da correnteza'... Contudo, não são apenas turistas que perdem a vida nesses locais. Potencialmente, perdem a vida menos turistas  do que as populações ribeirinhas locais, do que árvores, peixes, enfim, o ecossistema. E entendam, não estou me "lixando" pelas vidas dos turistas e dos 'importantes', mas levando a reflexão das que se perdem e que não viram notícia... 

Nas proximidades onde Montagner foi encontrado morto, ribeirinhos perderam a vida para a "maré" do Rio São Francisco, que tem o volume de água aumentado de uma hora para outra provocado pela abertura das compotas... perderam a vida para força da correnteza que arrastou seus barcos, meios de garantir o pão de cada dia... perdem a vida tendo de deixar suas casas situadas em locais que serão alagados e viver onde não tem a mínima noção de como sobreviver... também perderam a vida milhares de peixes, que não conseguem nadar contra a fortíssima correnteza na época de piracema... vai perdendo a vida o ecossistema dali... estão perdendo a vida, famílias indígenas que ali vivem e que, com o ecossistema se alterando, perecerão em breve...

Igual modo perdem a vida indígenas, ribeirinhos, militantes e ativistas que são contra a criação de Belo Monte, no Pará ou em outros locais espalhados pelo país... Em leituras sobre a Usina Hidrelétrica de Belo Monte choca a naturalização com a qual uma engenheira trata a TROCA DE VIDAS PELO PROGRESSO...

A engenheira Brígida Ramati em entrevista ao G1, datada de 2010, afirma que Belo Monte é necessária para atender a demanda de energia elétrica no país. E a meu ver, justifica que o preço a pagar-se é baixo... "A energia gerada deverá atender a uma área muito mais ampla do que a área de impacto direto pois a energia é um dos insumos mais estratégicos para o crescimento de uma região". O grifo é meu. Para dizer que, em outras palavras, soa: os benefícios satisfarão mais pessoas do que as vidas que irá destruir... é como dizer: se mil serão beneficiados, não importa morrerem dez e alguns peixes... 
Daí alguns podem me questionar: o que fazer?? precisamos de mais energia mesmo... e levo mais uma reflexão: quem precisa?  O progresso, a indústria... A produção precisa para fazer tanto daquilo que faz e nos induzir ao consumo, que demanda maior produção e novo consumo... nosso estilo de vida precisa. É nosso modelo de sociedade que exige que se gere cada vez mais energia para sustentar as luzes acesas, as fábricas funcionando e nossos bens de consumo... nossa vida tão cheia de regalias, confortos e tecnologias que não nos permite ver quem inicial e diretamente já paga o preço por isso.



sexta-feira, 22 de abril de 2016

SOBRE BOLSAS E FERRAMENTAS

É muito fácil dizer que alguém não quer trabalhar. Mais fácil ainda é culpar programas sociais assistencialistas, que, embora elevem renda, auxiliem a vida das populações empobrecidas, tiram-nas da miséria extrema etc. não alteram a estrutura social, não alteram o modo produtivo que produz desigualdades sociais, pelo desinteresse pelo trabalho.
Difícil mesmo é compreender que trabalho, envolve realização pessoal, concretização de ideias próprias, realização de si por meio de uma atividade concebida e executada em todas as suas etapas, cujo produto é repleto de peculiaridade.

 Vendo pela rede crítica ao Bolsa Família - minha crítica já foi feita acima, não altera o modo produtivo - algumas questões me vieram a cabeça.


É, até porque, só com Bolsa Família não dá pra sustentar. Mas talvez a princípio fuja ao leitor que esta bolsa, repleta de ferramentas diferentes, representa também a necessidade de saber manusear tais ferramentas. Saber empregá-las em alguma atividade. E que isto, necessita no mínimo, mínima formação.
Para que eu use um martelo e sustente minha família com ele, preciso ir além de conseguir pregar pregos ou arrancá-los com a parte dentada.
Para que eu utilize uma furadeira e sustente minha família com ela, preciso informações mínimas acerca da superfície a ser 'furada', para saber que broca usar, que pressão exercer...
Para usar chaves, alicates, serrotes, e sustentar minha família preciso antes ter no mínimo noções espaciais, saber sobre texturas, espessuras...
Para usar uma trena e sustentar minha família, não basta saber ler números e estendê-la sob uma superfície. Preciso no mínimo, noções de cálculo básico para somar comprimento, multiplicá-los, dividi-los, calcular área, perímetro... enfim, não me basta carregar a bolsa, preciso ter conhecimentos mínimos para utilizá-la para sustentar minha família.
Se eu não souber utilizá-las, esta bolsa não me serve para sustentar minha família. Portanto, se eu não sei fazer algo, não faço não por preguiça, mas por desconhecimento. Que tal pensarmos em "bolsas" que possibilitem o acesso de pessoas à formação? E não digo apenas que as ensine a apertar parafuso, ou furar parede. Mas que as ensine também porque, a uns fica a tarefa de conceber uma broca x para furar tal superfície, a outros produzir tal broca e a outros, enfiar na tomada a furadeira e fazer o furo.
Que ensine o motivo pelo qual tal bolsa retrata muito bem a fragmentação do trabalho? A separação entre os que pensam e os que executam?
E ainda, uma formação capaz de explicitar porque induz-se à ideia de que os "sustentados" pelo Bolsa Família, tem de exercer profissões única e exclusivamente na execução de trabalhos com ferramentas...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

OS "COMPRADOS" PELA LEI ROUANET


Uma das coisas que não me descem é o mimimi sobre artista que defende o governo porque recebe dinheiro da Lei Rouanet. 

Não sou obrigada a ver e ouvir coisas sem nada dizer e vejo por aí proliferando a desinformação de que a Lei Rouanet foi criada para o PT comprar artistas. 
Primeiro devemos saber que a Lei Nacional de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91), pra começar, não foi criada por uma bancada petista, menos ainda aprovada por um presidente petista.  A lei foi aprovada em 1991, no governo Collor. Permaneceu no governo FHC, igualmente no governo Lula e Dilma.

Vejo também postagens por aí dizendo que artistas recebem dinheiro do governo para desenvolver seus projetos. E ainda, acusações de que artista tal, defende o governo para não perder o dinheiro que ganha... Gente, bobagem tem limite. O governo não 'dá' dinheiro para ninguém desenvolver projetos culturais. Para que algum artista consiga alguma grana para desenvolver seus projetos artísticos (não vamos aqui discutir se são arte ou produto) primeiro ele precisa escrever um projeto, de acordo com o edital. Posteriormente, os projetos são submetidos ao Ministério da Cultura e lá aprovados ou não para a CAPTAÇÃO DE RECURSOS. Um projeto apto à captação de recursos não significa que artista X receberá algum recurso. Sairá em busca (ele não, provavelmente) de empresas que tenham interesse em PATROCINAR seu projeto. Assim, uma empresa interessada em DEDUZIR percentual de seu IMPOSTO DE RENDA, provê os recursos ao artista. Portanto, não é dinheiro público que vai para os artistas. E aí você pode até argumentar: o dinheiro dos impostos é dinheiro público, logo, os artistas recebem dinheiro público. Calma lá!!! Dinheiro que ainda não foi para os cofres públicos (e bem sabemos que muitas empresas e até pessoas físicas dão seus jeitinhos de não fazer com que a eles cheguem) então, não é dinheiro público. 

Outra coisinha a pensar... voltemos à 1991 e porque empresas teriam interesse em financiar projetos artísticos. Ah, é porque querem o bem da cultura no país, né? 
E vamos para 2016, por que ninguém se pronuncia para a revogação de tal lei? Ahhh deve render um bom retorno às empresas! Afinal, se eu por ventura enviar um projeto ao MinC, tiver aprovada a captação de recursos e ficar no páreo com artistas famosos e que o povão ama, snif pra mim, perderei o PATROCÍNIO DE ALGUMA EMPRESA, INTERESSADA EM DEDUZIR IMPOSTO DE RENDA.

Então gente, não é porque uma EMPRESA patrocina um artista que automaticamente o artista 'mama nas teta' do governo ou defende governo. 

A própria grande antipetista organizações Globo, já teve projetos aprovados pelo MinC e recebeu recursos para muitas de suas produções, seja de filmes e minisséries. Consta na Rede, de fácil acesso, a informação que o Instituto FHC foi autorizado a captar recursos para organizar o acervo presidencial. O Instituto Raimundo Fagner, também recebeu verbas por esta via. Suzana Vieira já captou recursos, tal como Regina Duarte, Marcello Serrado e outros que figuram por aí no time mostarda e como vemos não são lá defensores do governo!

Não tenho certeza, mas acho que Luan Santana e Claudia Leite não se pronunciaram... mas que se cuidem, vão logo ser tornados petistas e defensores do governo caso se pronunciem a favor da democracia e da legalidade, tal como Letícia Sabatella, Wagner Moura, Leandra Leal, inclusive o "comprado" do Duvivier...

Inclusive, bora ver o artista 'comprado' deturpando o seríssimo trabalho das investigações da lava-jato, lembrando que quaisquer crítica em relação ao PSDB/PMDB com a realidade é só coisa de artista comprado pela Rouanet apoiando o governo para não perder a bocada...

DELAÇÃO - Porta dos Fundos



Haja paciência. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Fabíola e a saga de ir a manicure

Até ontem, quando ouvia o nome Fabíola, me lembrava de uma querida Fabíola que conheço e ouvir o nome, me dava boas lembranças. A Fabíola é uma pessoa muito agradável.
Agora, quando ouço o nome Fabíola, me sinto angustiada. E não é por culpa da Fabíola, é por conta de uma sociedade machista que diz que machismo não existe. Por conta de uma sociedade hipócrita de moralismo seletivo.

A Fabíola ficou "conhecida" como a puta que foi pega no motel com o melhor amigo do marido. O nome do marido, alguém lembra? o nome do amigo e do cinegrafista, alguém se lembra? Poucos sabem ou se lembram. Ficou mesmo o nome da Fabíola e toda a enxurrada de palavras de baixo calão para referirem-se a ela. Justiça seja feita, muita gente elevou a bandeira e pediram para deixar a Fabíola em paz, parar com julgamentos e denunciou o machismo em todo o fato. Mas infelizmente o mundo ainda tem mais gente idiota! E a todo momento as piadinhas sem noção se proliferam pela rede.

Engraçado que o moralismo barato é tanto, que não vi #somostodasfabíola. Não, dessa vez não ia dar né? Afinal, Fabíola fez o que uma mulher nunca deve fazer. Transou com outro homem... afinal, ela foi pega pelo marido - coitado - no motel. Desse jeito não dá pra sermos todas Fabíola.
Daí as milhares de coisas que passam pela minha cabeça. Fabíola foi agredida física e verbalmente no vídeo. Teve a imagem divulgada, foi exposta e humilhada. Enfim, repito o discurso dos que 'saímos' em defesa de Fabíola. 

Retomei o caso para andar com o que a mediocridade nossa de cada dia vem causando. Depois do episódio e dos inúmeros compartilhamentos da vida alheia, do quase total silêncio acerca da truculência do marido para com esposa, a fala do marido questionando a "desculpa" de Fabíola, se torna motivo de piada. 
Segundo o marido, quando saiu de casa, Fabíola iria à manicure. E agora vejo a opressão machista proliferar-se em inúmeras piadinhas acerca de mulheres irem à manicure. Já vi de tudo... marido chamando esposa para fazer-lhe as unhas; marido levando a mulher no salão e esperando-a; marido vigiando a manicure com espingarda na mão; e marido pedindo assinatura da manicure, atestando que a mulher esteve de fato, fazendo as unhas... 
E o pior, muitas de nós, mulheres, rindo, compartilhando sem a mínima reflexão sobre o que é arraigado nesse tipo de brincadeira. Será que não percebemos que parte de uma 'liberdade' que conquistamos, se perde nessa brincadeira? Sair só para ir que seja ao salão fazer as unhas, é superação de um tempo em que o enclausuramento caracterizava a vida de uma mulher e brincamos com isso! Achamos graça do homem que nunca teve interesse em diferenciar esmalte verde água de azul e ri de sabermos diferentes tons de vermelho e conhecermos a cor nude, falar em pintar nossas unhas. E rimos do indivíduo acompanhar-nos até a manicure e esperar que façamos as unhas portando arma de fogo. Capaz que se pensássemos dez segundos sobre o que postar nas redes sociais, elas estariam fadadas ao fracasso.

Daí algumas ainda brincam quando estão ouvindo meu sermão: De repente vai ter marido notando que a mulher fez as unhas né?? Cinco segundos de pensamento são capazes de perceber: Ahhhh não, essa não vai ter, vai de algum modo denunciar que muitos maridos não prestam atenção na mulher. Ah, e é isso que muitos alegam quando pulam a cerca. A esposa não lhe deu atenção, afinal, "quem não tem amor em casa, vai procurando na rua". Mas essa regra não se aplica à Fabíola.




terça-feira, 7 de julho de 2015

DA SÉRIE: Redes Sociais - Hashtag somos todos Maju

Hashtag's tornaram-se para mim símbolo de pouca ou nenhuma reflexão. Engraçado que fui conferir a grafia para o # no Google e a segunda coisa mais procurada foi "hashtags mais usadas". Isso por si só já corrobora meu desconfiar...

Essa semana vi proliferar a marcação #somostodosMaju pelas redes sociais e como sempre me causou reflexão. A primeira foi em relação ao fato de que na mesma semana, duas notáveis mulheres foram vítimas de gente que não tem o mínimo de respeito por outrem. Refiro-me ao caso Dilma em adesivos com conteúdo sexual e desrespeitoso e ao caso de crime de racismo, cometido por inúmeros indivíduos, à jornalista Maria Júlia Coutinho. Tenho adotado como procedimento não proferir de modo citatório certas coisas, nem reproduzir algumas imagens para não proliferar tanta merda na rede. Lanço mão disso quando é absolutamente indispensável e por isso, não verás por aqui nem o adesivo nem as frases que atacaram Maju. 

Eis que nas reflexões me deparo com o pensamento: pena que a hashtag não vale para todos os indivíduos que sofrem com o crime de racismo ou afins. Vale para uns e outros. Foi preciso antes de  outros notáveis proferirem o #somostodosMaju para que muita gente entrasse em defesa da jornalista. E uma pena que a #somostodosMaju não se estende a #somostodosjoaquim, #somostodosmaria... Infelizmente os anônimos que sofrem com o crime de racismo não recebem apoio de tanta gente e tampouco afloram o sentimento de igual a ponto de fazer com que coletivamente, todos nos sintamos alguém. 

Outra reflexão que me veio foi a questão "Somos todos Maju quem?" Quantos de nós, usamos a hashtag e à primeira oportunidade criticamos o amigo negro por estar com o cabelo grande ou indicamos a amiga negra a fazer um relaxamento ou chapinha? Quantos de nós que usamos a hashtag e negamos a todo instante a nossa ancestralidade afro e ao menor sinal, alisamos o cabelo? Quantos de nós que usamos a hashtag somos mesmo Maju's? Quantos de nós que usamos a hashtag fazemos piada racista e odiamos políticas públicas que busquem amenizar as mazelas que a população negra vive? Quantos de nós que usamos a hashtag achamos a Gloria Maria feia e a Camila Pitanga uma negra linda, porque tem traços finos? 
Gente, pensa... 

Para reiterar o argumento de que a mim o símbolo # significa pouca ou nenhuma reflexão lembro a lastimável #somostodosmacacos ... vou nem me alongar nisso. 

Não bastasse o fato de algumas pessoas dar início ao espetáculo racista contra Maju, logo depois surgiram histórias que a meu ver foram meras tentativas de abafar o caso e trazer à tona coisas que pouca gente anda refletindo também e a criação de outras hashtags que associavam ao marido de Maju à corrupção e claro, ao PT, único partido político corrupto desse planeta. Com toda carga de ironia que conseguirem ler para o que está em itálico, tá!? E aí, claro, trazendo as especulações com o tema PT e corrupção, muita gente conseguiu esquecer a temática RACISMO que aconteceu com todas as evidências na busca por arrefecer um crime claro e de fácil investigação. A má fé fez até com que muitas pessoas tivessem lapsos de leitura e não conseguissem diferenciar as nomenclaturas PEPPER e PEPPR e no meio disso tudo, o que deu início à hashtag, caiu no esquecimento e continuaremos a presenciar crimes de racismo a anônimos e famosos, tendo em vista que estes, quando se cria qualquer outra hashtag são esquecidos.

Um adendo: a hashtag É pela Dignidade Feminina em repúdio aos adesivos grotescos montados com Dilma sendo penetrada por bombas de gasolina não tornou-se viral. Mais uma vez, corrobora meu argumento de que hashtag's simbolizam a mim pouca ou nenhuma reflexão. Quando não faço adesão a um #ÉpelaDignidadeFeminina lançado por uma petista, parece-me que o fato de ser algo que desrespeita uma presidente, que desrespeita uma MULHER, que corrobora com a visão que coisifica ainda mais a mulher como mero divertimento sexual, não importa. Parece que vai ser algo ao que terei de responder, pois estaria defendendo uma presidente, algo que não poderia nunca fazer já que a hashtag de ontem dizia foradilma e a chamava de piranha. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

DA SÉRIE REDES SOCIAIS: Zeca Camargo

Nas últimas duas semanas as redes sociais bombaram com três assuntos que me deixaram inquieta por conta de meus pensamentos acerca das coisas e da forma como aligeiramos assuntos delicados e saímos com conclusões muitas vezes, alheias.

Pontuarei sequencialmente as três tematizando: Zeca Camargo; Somos todos Maju; Turma do PRONERA - UFPR e a abertura de vagas para assentados do MST e quilombolas. Pronto, quem não tiver interesse, já disse as temáticas e podem ir.

A ideia era fazer um único post, mas agora pesquisando pra fazer mudei de ideia e serão os três temas distintamente postados.

Inicio a série respondendo a pergunta que encheu o saco na semana passada no formato mais chato ainda #quemezecacamargo
Certamente as pessoas não querem saber... mas achei válido.

Quem é Zeca Camargo?
Os comentários que despertaram raiva em muita gente fez com que inclusive eu demorasse um pouco para encontrar resposta à pergunta, tendo em vista que tudo que aparecia no Google era referente ao que muita gente achou polêmico e que virou motivo de desrespeito ao cara. (Ok, se acham que ele desrespeitou Cristiano Araújo, foi também desrespeitado e muito com a enxurrada de ofensas a ele proferidas em nome de respeito a outro... fico por entender).

Respondendo a pergunta: José Carlos Brito de Ávila Camargo é um mineiro de Uberaba-MG, nascido em 08 de abril de 1963. Formou-se em Administração pela FGV e em Publicidade e Propaganda pela ESPM, trabalhou em galeria de Artes Plásticas e foi professor de dança, tendo alguns atores famosos como alunos. Começou no jornalismo em 1987 e depois trabalhou em editoriais em Nova York, onde consta ter feito sua primeira grande reportagem, tendo Cazuza como entrevistado . Segundo a biografia, Zeca foi o primeiro jornalista a quem Cazuza revelou estar com AIDS (um ano depois de Araújo nascer). Entrou na Globo em 1996 e fez inúmeras reportagens. Esteve frente a frente com Paul McCartney, Mick Jagger, Madonna, Lady Gaga... 
Mais informações podem ser obtidas no link http://www.purepeople.com.br/famosos/zeca-camargo_p3086 não as trarei pelo fato de o que me interessa estar compilado por mim nestas informações.

Deixemos a raiva, o momento de angústia massificada pela morte de Cristiano Araújo e pensemos... Quem é Zeca Camargo. Cara, não é um zé ninguém. Não estou dizendo que o cantor o fosse tá?! Não me odeiem. O fato é que um cara que tem no currículo entrevistas com grandes (gigantes) ícones da música nacional e internacional tem todo direito de achar estranho um 'pouco conhecido' causar tanta comoção. E por acaso, isso não é de fato estranho? 

Particularmente, acho bonito nos solidarizarmos com sentimentos das pessoas, sentirmos dor pela morte das pessoas. Sinto muito e fico grilada é que essa comoção coletiva se aplica apenas há algumas pessoas e, geralmente, ligadas à mídia. Anônimos muitas vezes são até execrados quando morrem em acidente causado por alta velocidade. Lamento todas as vezes. E outro detalhe, sabemos bem que é fato muita gente virar fã depois que alguém morre como meio de identificar-se a algum grupo.

Particularmente, EU NÃO SEI QUEM É CRISTIANO ARAÚJO. Digo, não sei. Pois saber de alguém pelo simples fato de que muita gente admira e gosta mas que não consigo identificar em meio a tantos outros, a meu ver é não saber. Sei de uma música que creio que era dele porque tinha o nome envolvido em meio ao refrão. De outras, pode ser que tenha ouvido, mas não sei dizer tampouco distinguir e isso não apaga a minha história de vida, ou pelo menos, não deveria. Numa conversa em casa, comentamos sobre e os cinco presentes não o conheciam... Então, a nós, ele é um desconhecido, no máximo alguém de quem já ouvimos falar. Foi inclusive lembrado por um dos presentes na conversa, que soube da existência de mais esse cantor do sertanejo quando o cara esteve envolvido com reclamações por som alto e perturbação da ordem no condomínio onde morava... Enfim, não conhecíamos Cristiano Araújo por sua música.
É disso que Zeca Camargo estava falando e representou em pontos pelo menos muita gente que não conhecia Cristiano Araújo.

Particularmente não ouço sertanejo por vontade própria. Tolero quando vou em locais que está tocando me esforço para ignorar o que meus ouvidos captam. Não gosto e não me agrada. E digo, me agradou muito a fala de Zeca Camargo quando disse algo parecido com as pessoas gostarem de cantores de uma música só... Ok! Crucifiquem-me. Mas pelo que compreendo, Zeca me contemplou neste ponto e fiquei surpresa de esta fala ter aparecido na mídia. 

Afinal não é mesmo uma música só?? Analisem comigo: quais são as temáticas das músicas do sertanejo? Quais são os instrumentos usados? quais são os arranjos que aparecem? quais são as notas e acordes presentes? 
Tá podem dizer que eu não escuto e não posso falar nada. Não escuto em casa, os locais onde frequento muitas vezes tocam... Mas pelo simples fato de não conseguir distinguir um cantor ou dupla destas quando ouço, me mostra que são similares, muito parecidas e quicá, iguais.

E aí, lembro-me de Theodor Adorno e do fenômeno que ele descreve como estandardização. Adorno ao discutir a o gosto musical analisa que este está intimamente ligado ao que é reconhecido pelo ouvinte. Aquilo que é reconhecido, aquilo que o ouvinte já conhece em outras músicas o faz identificar-se com o que já ouviu e curta a 'novidade' em outras músicas que na verdade pouco tem de novo.
Não seria essa uma das razões pelas quais se amanhã um amigo ou parente meu que use um jeans apertadinho, tenha o cabelo baixo com um topetinho, um gingadinho na cintura, peitorais e bíceps meio avantajados, toque um violão com sequência C G Dm F e cante uma música relatando uma aventura amorosa, uma paixão fulminante ou um abandono e afogamento das mágoas na margaça caia no gosto da galera que curte uma música só??

E sendo ainda mais polêmica, correndo o risco total de ser considerada elitista e tudo mais até mesmo uma "camarguete" concordo com o Zeca quando ele comenta, de modo não muito delicado, entendi isso, que estamos empobrecidos em nossa 'cultura'. Avalio que estamos sim, com a audição regredindo como constata Adorno. Estamos com a visão regredindo, com tudo regredindo... e os responsáveis por isso são os mesmos meios onde Zeca Camargo atua... os midiáticos. Estamos a cada dia aderindo a uma 'cultura massificada' a um gosto que produzem em qualquer linguagem artística para vender e vender. Nisso, não percebemos o quanto são iguais uns e outros tanto na música sertaneja quanto no rock, no pop ou na MPB... no funk, no blues ou no jazz e por aí vai. No cinema, na literatura e por aí vai...


quinta-feira, 25 de junho de 2015

FOTOS DE CRISTIANO ARAÚJO NU VAZAM DO NECROTÉRIO

Se você caiu neste link pela curiosidade mórbida em ver um homem morto nu, sinto informar que não encontrará nada disso por aqui. É, é propaganda enganosa. Justifica-se pelo intuito de fazer você refletir sobre o quão pífios estamos nos tornando.

Ao final da tarde de 24-06, depois de ouvir muita gente comentando a morte do cantor Cristiano Araújo, fato ao qual lamento tal como lamento por qualquer vida perdida de modo trágico (e que especialmente não seria motivo de minhas reflexões não fosse o que se segue ao fato) acessei minha página do Facebook. Como não poderia ser diferente, milhões de postagens com lamentos pela perda, orações à família, homenagens póstumas, gente virando fã... coisas que ocorrem sempre que alguém ligado à mídia vem a óbito... Até então, compreensível, comoções coletivas e tal. Começaram a me assustar o tom de sensacionalismo que começou a dar-se nas redes sociais ao 'esbagaçamento' do veículo e aos momentos em que o cantor era socorrido. Mas nunca imaginei que chegaria ao ponto que chegou...

Ao fim da noite uma inundação de postagens no Facebook e WhatsApp com fotografias diretas do necrotério!!!  Nesse momento, perdi todo o sentimento otimista que tenho na humanidade. Inúmeras coisas me passaram pela cabeça e dentre elas, não pude conter o sentimento de desprezo pelo indivíduo que teve a estúpida ideia de fotografar o cadáver e espalhar a foto pela rede. 
A princípio imputo ao autor do feito a responsabilidade por fazer do momento da morte, por si só já tão doloroso, algo ainda mais espatacularizado.

A pessoa que fotografa e posta a foto de um corpo no momento de sua preparação a mim tem toda a sua boa índole posta em dúvida. E não, não quero ficar aqui julgando a pessoa que fez a foto, mas o fato de tê-la feito. O que leva a pessoa a tal atitude? Só consigo no momento pensar numa resposta: imersão à sociedade de espetáculo. Espetacularizar ao máximo a morte de um famoso e claro, tornar-se famoso (mesmo que de modo anônimo) por conta disso. Cruelmente dizendo: ter seus quinze minutos de fama a custa do corpo de um homem morto que teve certo trabalho para tornar-se famoso.

Em vida, Cristiano Araújo provavelmente nem sempre quis ser fotografado, certamente em muitas das vezes, para não ser grosseiro, não ficar com má fama etc. deixou-se fotografar. Creio que em outros momentos, tenha até evitado ser fotografado. O que me deixa perplexa é seu corpo inerte, dessa vez, nem que quisesse, pôde declinar da fotografia. Tampouco o fotógrafo pensou se o que estava a fazer poderia ser ultrajante à muitos, doloroso à família ou desrespeito ao cadáver. Creio que só pensou em ser compartilhado, curtido e comentado... creio que pensou no quanto se tornaria importante por mostrar às pessoas o momento talvez mais íntimo da vida de Cristiano Araújo...

Diante disso, não duvido que se a pessoa tivesse postado fotos do cadáver nu, muitos iriam ver, curtir, compartilhar sem ao menos refletir sobre como transformamos pessoas em objetos de nossa mórbida curiosidade. Sabendo ainda que alguns aqui caíram pelo fato de que anunciei ter aqui fotos deste corpo nu... 

Tenhamos respeito ao menos pelos mortos. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Espírito de Porco!!


Mais uma vez vejo a contradição e a falta de informação se proliferando... circula uma imagem que acusa claro, o PT, de propor que baixe de 14 para 12 anos a idade que determinaria sexo não consensual como crime. Sim, uma proposta desta a mim parece (parece porque ainda não avaliei isso direito) tão indecente como baixar de 18 para 16 a MAIORIDADE PENAL (essa já avaliei e tenho minhas concepções).
Engraçado é que a maioria das pessoas que acham absurdo a redução da idade para o sexo consensual defendem que se reduza a maioridade penal. Dá pra me explicar porque? 
Deixo claro, é raso dizer de opiniões, mas sou da de que ambas as 'reduções' são pífias e errôneas. Mas queria entender: porque muitos defendem que pode inclusive matar crianças, adolescentes, jovens e adultos que supostamente cometem crimes e não pode reduzir a idade para sexo consensual? 
Inclusive já vi zilhões de vezes o ridículo argumento: "se namora, se transa, se vota, se não sei mais o que antes dos 18, pode também ser preso", "pode responder processo". É, respondem caso não saibam.

O projeto 236/2012 é de autoria do Senador Jose Sarney do PMDB, aquele que virou notícia pego votando no 45, lembram? Pois é, não achei bonito que apareceu vídeo de o voto secreto dele aparecendo, mas apareceu e não posso crer na veracidade 100%, mas ao que tudo indica, o autor do projeto que reduz o vulnerável dos 14 para 12 anos não é do PT e ainda votou - de acordo com o vídeo - em Aécio.
Outra coisa interessante a pontuar está neste arquivo, que trás o estudo do Senado em relação ao Código Penal e as propostas de alterações de um monte de senadores. Não fui em um por um ver quantos são 'os notáveis' do PT. Sei que tem um monte do ex-senador Demóstenes Torres, amigo do Cachoeira saca? Tem ao final o como era o Código Penal.
Neste, proposto no Senado pelo Sarney podem ser vistas as alterações, com base não nas propostas de 'notáveis' de um partido, mas vários 'notáveis'. http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp…
Ah, lembremos, nem tudo é mérito ou culpa de Presidente.
WWW12.SENADO.GOV.BR

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Leu na veja azar é seu, MESMO!

LEU NA VEJA AZAR É SEU MESMO:

Mais no blog...
Refuto algumas palavras de Reinaldo Azevedo comparando o que ele diz ser ultrajante e tráfico de seres humanos. Cito:
"Já são 11.400 os cubanos que aqui trabalham nas condições que conhecemos: seus familiares não os acompanham; o salário é repassado ao governo, que transfere apenas uma pequena parcela aos profissionais, que estão impedidos de deixar o programa porque não têm autorização para exercer a medicina fora dele. Cada um recebe hoje apena  US$ 400. Generosa, Dilma quer que seu amiguinho Raúl Castro eleve esse valor para US$ 1 mil." (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/cnbb/).

Gostaria de saber qual é a diferença dessas condições de trabalho, com as condições de trabalho de grande parte da classe trabalhadora brasileira? Segundo Azevedo,cubanos são vítimas do crime de tráfico de seres humanos e digo, que, se assim for, nós brasileiros também o somos:
1 - Tal como cubanos, grande parte da classe trabalhadora brasileira aqui trabalham e suas famílias não os acompanham. Extensas jornadas de trabalho efetivado no setor em que se trabalha, mais uma outra jornada no translado até chegar em casa, não tem como a família acompanhar né??
2 - Tal como no caso dos cubanos - que Azevedo argumenta - O salário é repassado ao governo! Conhece impostos Reinaldo?! E o mais triste, o salário que repasso para o governo, que, deveria ser devolvido em benefícios/direitos, não o é!
3 - Tal como cubanos, nós trabalhadores brasileiros não podemos deixar o programa! Afinal, vivemos neste modo de produção que não nos permite deixá-lo. Tal como os cubanos, que argumentas de certo modo estarem cativos a exercer a profissão aqui, somos também cativos, tendo em vista que se nos negarmos, faltará-nos o pão.
4 - Tal como observa nos cubanos, um salário mixa, nós também, classe trabalhadora brasileira, recebemos hoje (grande maioria, por aquela extensa jornada de trabalho e translado) R$ 724,00 ou pouco mais!

A impressão que a mim fica é que, se considerar sua insana comparação, cubanos, brasileiros e toda a classe trabalhadora é vítima de crime de tráfico de seres humanos. Não, vítimas de um partido ou de um acordo entre países. Vítimas do capital.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Normalizar feminicídio! É isso mesmo?

Na madrugada do último dia 08-03, o Brasil ficou chocado com um fato triste e tragicamente na atualidade, corriqueiro e muitas vezes ignorado: a violência e homicídio de adolescentes e jovens.
Chamei a atenção pela difusão da notícia e ao que a maioria delas trazia na manchete conteúdos como: "No Dia Internacional da Mulher, quatro jovens são assassinadas em Goiânia", ou "Em pleno Dia Internacional da Mulher, quatro mulheres são assassinadas"... enfim, manchetes do tipo que enalteciam a princípio a data, e não o fato de quatro jovens terem sido executadas. Pareceu-me em muitas postagens que difundiam a tragédia, que a preocupação não era com a violência em si, com o feminicídio em si. Mas por ele ter ocorrido no dia 8 de março! Fiquei me questionando se não fosse o caso, se não fosse 8 de março, se tanta gente se preocuparia em fazer postagens e comentários sobre o ocorrido, afinal, diuturnamente jovens são exterminados e exterminadas e pouco se divulgam. 

Contudo, o motivo maior desta postagem é demonstrar que, a estranheza do ser humano vai muito além do que as vezes quero pensar.
Hoje, vi compartilhamentos da imagem das meninas, que se espalharam pela rede se nenhum cuidado ou pudor, e infelizmente, aliadas à especulação e julgamentos de inúmeras pessoas! 

O que a princípio me chamou atenção e fez-me repudiar as palavras me levou a uma chuva de comentários preconceituosos, discriminatórios e claro, discursos de culpabilização das vítimas. E fico mais irritada ainda, quando pessoas usam um discurso religioso distorcido (meu ponto de vista um Cristão, não agiria assim, isso é coisa de cristão! entenda mais sobre em http://quandoescrevoeuescrevo.blogspot.com.br/2013/03/o-cristianismo-mediocre.html).

Não arrisco identificar quem proferiu as primeiras palavras de culpabilização das vítimas juntamente às imagens das meninas, e até respeito o direito de todos em expressarem (até mesmo expressar seus preconceitos, descriminações e tal), contudo, as pessoas tem sempre de entender que o que escrevem, pode não ser aceito, ser criticado e repudiado até. A seguir, as palavras da postagem, as fotos, em respeito às garotas e suas famílias, não postarei.

"Isso aqui é pra vcs verem ai meninas..todas essas garotas eram lindas e tinham sonhos ..elas tinham entre 16 e 19 anos ..´É em vez de vcs namorarem ou conhecerem caras decentes..andam atraz de coisas erradas ..e depois acabam caindo na mao de caras errados de boyzinhos .. carrão ..moto .. ou apé mesmo..roupas de marca.. bones da nike..NY etc ...e depois olha ai o que eles fazem com vcs ..todas as 4 mortas com tiros..viu como vcs tem que se dar valor? e nao sair pegando qualquer um que aparece na frente..o que adiantou a beleza delas ?Isso aconteceu em goiania viu !!!Vcs podem mudar a historia de nosso país ..começando pela educaçao em casa..obedecendo e honrando vossos pais ..curta coisas boas..andem com pessoas boas.. ouçam musicas boas..façam coisas boas.. amem o teu proximo.. todos nós temos o lado ruim e o bom..usa só teu lado bom ..o ruim vc esquece..contagie as pessoas com teu lado bom..e assim nós podemos mudar nosso Brasil..nao com protestos quebrando tudo..e sim educadamente..começando por nós mesmos..pela nossa familia..se teu irmão ou irmã ou parente faz coisas erradas corrija ele ou ela sendo assim esses os que gostam de fazer o mal..nao terão espaço para isso ..Vamos mudar nossa historia !!"

Quem proferiu tais palavras, a meu ver, na sua tentativa de alertar as garotas e lembrar para que elas se valorizem, é reprodutor de um discurso preconceituoso a ambos os gêneros e focando às garotas, além de preconceituoso é machista. Apresenta como uma lição de vida, bem típico daqueles que deturpam mensagens cristãs e coloca uma ideia de moralismo como salvadora das mulheres. Sentiu aí o cheiro machista da coisa? Pois é, ao dizer 'não sair pegando qualquer um que aparece na frente' aponta a ideia da mulher virtuosa, honesta e com essas características porque se apaixona, ou não, pelo 'cara certo', pelo 'bom rapaz'. Descreve como o homem 'errado' cuspindo novamente os preconceitos, como aquele das roupas de marca e bonés Nike e NY, o 'playboy'... antes de avançar na análise, acaso o proferidor de tal discurso esquece-se que casos de violência contra a mulher ocorre também à mulheres com características da 'honesta e virtuosa', que seguem os padrões morais de seu ponto de vista? aquelas que se casam, tem um único homem, infelizmente também sofrem violência de seus parceiros. Também são assassinadas. E nem sempre o homicida, é um boyzinho que anda de carrão e usa grifes! 
Me choca a lógica: "todas as 4 mortas com tiros..viu como vcs tem que se dar valor?" Estou enganada ou é a mesma lógica de: 'se você não se dá o valor, está absolvido quem te assassinar'! E penso ainda, valor de quem? Que valores a pessoa tem que se dar? Como é isso? Daí, vem dando a essas garotas, que devem se dar ao valor a responsabilidade em mudar a história do país, pura e simplesmente obedecendo e honrando os pais! Caro, antes de qualquer coisa, o argumento mais besta que deves refletir antes de dizer isso: não é todo brasileiro que tem pai e mãe para 'honrar', não somos todinhos detentores de uma família certinha como provavelmente você supõe haver. 

Repudio discursos assim. Simplesmente repudio. E repudio porque fazem as pessoas pensarem sempre que errada é a moça que sai de roupa curta na rua, e diz, 'acho é pouco' quando ela sofre violência sexual. Costumo dizer que andar de roupa curta em nosso país, não é crime, nem mesmo código religioso. Estupro, o é! Daí as pessoas tem o péssimo costume de inocentar o violentador porque a vítima se vestia para se mostrar. 

Além do discurso preconceituoso e machista que me deixou bestificada, me fizeram enlouquecer ainda mais os comentários de outros seres humanos... tanto preconceituosos ou mais: grande parte deles, servia para julgar as garotas. De sentenças como 'é o que acontece como quem anda como prostituta', 'isso que dá andar sozinha à noite', 'não tenho dó de gente assim, plantou colheu'. Coisas do tipo, 'é castigo de deus', 'deus mostra o caminho da salvação, as pessoas escolhem outro' e tantas outras porcarias. 


Contudo, em meio delas, uma ou outra condenação a estes comentários infelizes... poucos, superficiais, contudo, me deixaram um pouco mais esperançada com o ser humano, mesmo que fosse com um ser em 15, 20 seres!

Reitero meu repúdio aos discursos de culpabilização das vítimas... extermínio da juventude, está ligado a isso também. Não assassina, apenas quem atira com uma arma ou apunhala com uma faca... Assassina quem, é conivente com tais coisas em seus discursos discriminatórios e preconceituosos!